A vida não é uma linha reta

– por Mariana Zambon Braga

Quando pensamos nos nossos objetivos e nos planos que traçamos para alcança-los, a tendência é idealizarmos uma linha perfeita, reta e precisa. Como um gráfico pontilhado de lógica e verdades. Depois de destrinchar todas as possibilidades da realização de um sonho ou projeto, desenhamos um mapa e colocamos o pé na estrada, por assim dizer.

A meta está lá, no fim do traço, na seta, no ponto de chegada. Está implícito que partimos apenas de um ponto fixo em nossa linha do tempo. Estamos no ponto A e desejamos ir ao ponto B, que no futuro se transformará em ponto C e assim por diante. Porque, obviamente, com o passar do tempo, teremos novos objetivos a conquistar.

E como nosso tempo sempre é curto, temos pressa de chegar ao final. Por isso, é comum ignorarmos os contratempos. Quer dizer, nós os consideramos – afinal, todo plano que se preze leva em conta os possíveis cenários negativos.

Traçamos diversas retas de um ponto a outro, imaginando quais serão os pit stops necessários ao longo do caminho. No âmbito profissional, essas paradas podem significar um curso, uma especialização, a expansão dos negócios. No contexto pessoal, podem ser as metas de relacionamento, autoconhecimento, tudo aquilo que consideramos vital para o nosso crescimento como seres humanos.

Mas, o que acontece quando essa linha se entorta um pouco para a direita, para a esquerda, desenhando traços sinuosos e curvas imprecisas? Será que estamos preparadas para pegar um desvio ou recalcular a rota?

Uma estrada tortuosa

Por mais que o nosso plano seja realista, a verdade é que é impossível prever tudo o que pode dar errado ou fugir do nosso controle. Ainda que nosso foco esteja bem estabelecido em nossos projetos, precisamos compreender que a existência não é algo linear. Esta seta imaginária que traçamos rumo ao tão sonhado horizonte pode se romper, por motivos que fogem ao nosso controle. E está tudo bem.

Um dos grandes aprendizados que a maturidade nos traz é compreender que o controle é algo que pode nos escapar por entre os dedos num piscar de olhos. E para manter a sanidade, para poder continuar em pé em meio à tempestade, é essencial termos em mente que, em algum momento da vida as coisas não vão sair como planejamos.

Pode ser que você saiba exatamente o que fazer para chegar aonde deseja. E, no meio do caminho, decida que não era bem esse o lugar onde queria estar.  Talvez, nesse momento de incerteza, uma luz de emergência se acenda dentro da sua bússola pessoal, indicando que não é possível voltar atrás, ou o fracasso será iminente.

Uma nova perspectiva

Vou te contar um segredo: não tem problema se você voltar atrás.  Às vezes, é a melhor coisa a se fazer. Escolher um novo ponto de partida, vislumbrar novos horizontes. Reinventar as suas possibilidades. Ainda que o objetivo permaneça o mesmo, você certamente não será a mesma, e isso, por si só, já é um novo começo.

A vida não é linear. É inconstante, tem caminhos tortuosos, nos faz tropeçar e mudar de rumo.  E muitas vezes são os terremotos e os imprevistos que nos ajudam a enxergar os cenários mais gratificantes.

No fim das contas, mais importante do que aonde iremos chegar é toda a jornada que nos leva até lá.


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.

Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. 


Imagem: Pexels

Você prefere ter razão ou descobrir a verdade?

– por Mariana Zambon Braga

Durante séculos, a humanidade tem desenvolvido ferramentas para investigar a verdade dos fatos da vida e do universo. A filosofia, os métodos de investigação científica, a racionalidade, de modo geral, nos auxiliam a organizar o pensamento e a demonstrar uma resposta através de mecanismos minimamente concretos.

Ignorar todo esse processo de evolução do pensamento é algo inimaginável, não é mesmo? Porém, a cada dia mais e mais notícias falsas pipocam em nossas timelines e presenciamos discussões embasadas em argumentos inexistentes – exceto pela máxima “essa é a minha opinião”.

Uma opinião não vale mais do que a verdade absoluta, por mais que nossas crenças pessoais sejam apaixonadas. Vocês acreditam que existe um grupo de pessoas que jura que a Terra é plana? E ai de você se tentar convencê-los do contrário, apresentando fatos.

Tudo isso porque nós achamos que estamos com a razão, que estamos certas, mesmo quando não estamos. E por que será que a gente resiste em aceitar que a nossa opinião ou nossas ideias estão erradas?

Quando se trata de opinião, somos, em maioria, combatentes. Tomamos nos braços o tesouro precioso criado pela nossa mente, formado por nossos conceitos e ideias, os trancamos em um baú bem protegido. Mostramos ao mundo quando desejamos e, pelo medo de sermos roubadas, voltamos a trancafiar a preciosa opinião a sete chaves, evitando ao máximo que ela seja transformada.

Queremos estar certas. Queremos vencer a batalha da argumentação. Isso nos dá uma sensação de poder, inteligência, sabedoria e validação. Queremos que a nossa visão de mundo prevaleça, acima de tudo.

Parece até que mudar de opinião é algo que nos rouba de nós mesmas. Embora, obviamente, não roube. O nosso valor pessoal não está atrelado ao fato de estarmos certas ou erradas a respeito de alguma coisa. 

Em sua palestra no TED, Julia Galef nos mostra que defender as suas crenças não é uma questão de personalidade forte, mas de mentalidade. Ela afirma que existem dois tipos predominantes de mentalidade: a do soldado, e a do batedor.

A mentalidade do soldado fará o que for preciso para combater as ideias inimigas, atacando-as, ou defendendo as suas próprias noções sobre o assunto em questão. É o que os cientistas chamam de tendência cognitiva ou viés cognitivo – que, em resumo, nos leva a tomar decisões com base nas emoções, e a confirmar teorias sem nenhum embasamento, apenas pelo “achismo” e pela validação de outras pessoas. Traduzindo: é uma mentalidade fechada.

Já a do batedor tentará ter uma visão clara da verdade, ainda que ela seja inconveniente ou nada prazerosa. O batedor não tentará vencer, mas sim procurar conhecer o cenário, identificar o que existe no plano real, investigando a situação da forma mais precisa e franca possível. A mente do batedor está sempre aberta.

Segundo a palestrante, essa é uma mentalidade fascinante. E eu tenho que concordar com ela. Vencer as barreiras dos nossos próprios preconceitos e tentar enxergar os fatos é muito difícil. Envolve admitir que nossos julgamentos estão errados, deixar de lado o nosso ego e as nossas emoções. Ser um pouco mais racional, perseguir mais a curiosidade.

Isso não significa que defender um ideal é algo errado ou contrário à racionalidade, de forma alguma. Porém, antes de tomar essa crença como sua e tentar defendê-la com unhas e dentes, busque a verdade. E, se você perceber que estava errada, tudo bem. A mente aberta é o que nos move a conhecer cada vez mais o mundo e a vida como realmente são. Na pior das hipóteses, nos ajuda a enxergar um pouco o outro lado da moeda.

Encerro este textão com o questionamento final da palestrante: “O que você mais anseia? Defender as suas crenças ou enxergar o mundo da forma mais clara possível?”

Confira o TED Talk da Julia na íntegra:


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.


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Desistir também é uma opção

– por Mariana Zambon Braga

Este não é um texto motivacional. Já existem muitos deles por aí, principalmente aqueles que dizem que “Desistir não é uma opção”. Como se chegar ao fim de alguma coisa, ou alcançar determinado objetivo, valesse a pena em qualquer situação. Mais ainda: como se fosse válido suportar toda e qualquer adversidade para sentir o gosto da vitória.

Em muitos casos, a persistência, o foco e a dedicação são, de fato, qualidades que nos impulsionam para as metas das quais temos plena convicção. Seguimos aguentando as dificuldades, engolindo os sapos da vida, trabalhando horas a fio, pois, no nosso íntimo, sabemos que o fim da jornada será válido. Ou, talvez, por não termos condições de analisar outras opções – quando, por exemplo, nosso emprego ou trabalho é a única maneira viável de sustento.

oleukena_givingupisnotanoption-2Supondo que estamos em uma situação na qual é possível escolher, o lema desistir não é uma opção nos estimula a continuar trilhando um caminho sem pensar em voltar atrás. Adotamos a mentalidade dos maratonistas, que seguem um percurso solitário e cansativo até a linha de chegada. E, como estes esportistas, descobrimos muitas riquezas ao longo do processo, transformando as cãibras, o suor e os quilômetros percorridos em aprendizado. A trajetória, em si, acaba sendo tão frutífera quanto a própria medalha. 

Mas e quando estamos em uma corrida sem fim? Ou melhor: e quando o percurso não nos leva a lugar algum e corremos em círculos? Nessas situações, talvez seja mais produtivo encarar a realidade e desistir, sem medo.

Antes de pensar em mergulhar de cabeça ou entregar-se de corpo e alma a um projeto ou a um objetivo a ser alcançado, precisamos ter certeza de que aquele é o lugar aonde queremos chegar. E nem sempre conseguimos ter a plena segurança de que estamos no caminho certo, não é mesmo? Em todos os contextos da nossa vida, no trabalho, nos relacionamentos e nos projetos pessoais, a dúvida nos visita constantemente.

Enquanto percorremos a estrada até o destino planejado, podemos começar a acreditar que aquilo não faz mais sentido. Neste caso, o que é melhor: permanecer num beco sem saída, num labirinto, ou dar alguns passos para trás e, com mais clareza, enxergar as novas possibilidades? 

É normal querer terminar algo que começamos. Dá uma sensação gostosa de dever cumprido, de conquista e merecimento. Por isso é tão difícil desistir. Pensamos: “Perdi tanto tempo da vida com isso, e agora vou abandonar?”.

Porém, ao invés de olhar para algo que você deixoleukena_givingupisnotanoption-3ou para trás como uma derrota ou uma desistência, você pode enxergar toda a bagagem que acumulou até aqui- seja em termos de qualificações e habilidades, seja em termos emocionais – e pensar em como ela será útil em qualquer outro caminho que você escolher trilhar.

Desistir de algo que não te faz bem ou que não te ajuda a crescer e melhorar não é sinônimo de fraqueza, mas de autoconhecimento e maturidade. Ao aceitar que nada nessa vida é permanente, que existem infinitos caminhos e que é, sim, possível (e às vezes, necessário) mudar de opinião, de foco e de objetivo, conseguimos nos cobrar menos.

Ser capaz de desistir é poder errar e reconhecer a força dos recomeços.

É preciso ter muita força para abdicar de um emprego sufocante ou explorador, para desapegar de um relacionamento abusivo, para seguir em frente e demolir as paredes dos becos sem saída e dos labirintos.

Desistir pode ser, sim, uma ótima opção. Só não podemos é desistir da vida, tão rica e repleta de possibilidades.


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Para ilustrar esse texto, escolhi a série de fotografias do artista alemão Ole Ukena. Ao olhar para esta instalação, somos confrontados, à primeira vista, com uma situação na qual o artista está prestes a terminar a obra. Uma escada, algumas letras, pregos, pincel e tinta ainda estão espalhados no chão, como se aguardassem pelo momento de serem usados. Ao olhar mais atentamente, percebemos que a frase “Giving up is not an option” (Desistir não é uma opção) deve ser lida à luz da ironia. O artista desistiu de terminar a instalação que recebe este nome e a obra é finalizada sem ser terminada.


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. Contato: redacao@feminaria.com.br

Como a auto-sabotagem pode estar atuando na sua vida

– Por Gisele Ventura

A auto-sabotagem é um mecanismo muito comum, que opera de modo inconsciente fazendo com que puxemos nosso próprio tapete. Curiosamente com o intuito de nos proteger e nos manter na zona de conforto.

Como funciona a auto-sabotagem?

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Imagem: Raquel Aparicio

Após tantos envios de currículos, entrevistas, estudo e preparo, finalmente A. consegue o emprego dos seus sonhos. Logo no início, ansiosa para colocar seus potenciais em ação e mostrar a que veio, ficou com a saúde abalada. Tentou resistir, compareceu a empresa assim mesmo durante alguns dias, até que acordou tão fraca que precisou ser levada ao pronto socorro. O diagnóstico não foi tão grave mas exigiu uma semana em repouso.

Aniversário de dez anos de casamento, JP resolve fazer uma surpresa para sua esposa e compra um lindo anel de brilhantes em uma famosa joalheria. No estacionamento do shopping, coloca o pequeno pacote em cima do capô do carro enquanto procura a chave nos bolsos. Alguns minutos depois, já na rua se dá conta de onde havia deixado o presente. Tarde demais.

R., uma mulher bonita, profissional reconhecida, criativa, cheia de vida não consegue encontrar um parceiro para um relacionamento satisfatório. Conhece muitos homens, por meio de apresentações de amigos, encontros profissionais, aplicativos, eventos. Mas, em algum momento da relação percebe que tem uma característica em comum: parecem estar procurando uma mulher para sustentá-los.

Situação comum: Mulheres que gostariam de trabalhar mas que acabam ficando em casa após o nascimento dos filhos, até que não conseguem se recolocar mais (salvo as que realmente fizeram esta opção de forma consciente) muitas vezes estão sabotando suas carreiras.

Exemplos não faltam a respeito de auto-sabotagem. A auto-sabotagem é um tema tão presente nas nossas vidas, mas ao mesmo tempo tão difícil quase impossível de nos darmos conta. Por quê?

Porque ocorre em um nível inconsciente, tão profundo da nossa psique que não somos capazes de enxergar a olho nu. E, falar em auto-sabotagem, no exemplo de uma doença física, que aparece nos exames, parece até loucura não é?

“Como assim eu estaria provocando esta doença em meu corpo?”, você pode estar se perguntando.

Sim, concordo que é um assunto muito delicado e pode ser até mesmo soar como ofensivo ou leviano para quem sofre de alguma doença. Então, reforço que não necessariamente todo adoecimento é provocado pelas emoções. Existem fatores genéticos, doenças herdadas, ou geradas pelo ambiente, hábitos ou mesmo pela toxicidade dos alimentos.

Mas o inconsciente sim tem o poder de desencadear crises, agravar ou abrandar o problema. E, em algumas situações pode ser a fonte causadora.

A auto-sabotagem se disfarça de tantas formas, que parecem ter explicações tão racionais que realmente fica difícil visualizar que podemos estar sabotando nosso sucesso, saúde, relacionamentos e bem estar de modo tão imperceptível.

Mas afinal, porque no auto sabotamos?

Cada caso é um caso, não tem como generalizar, o mundo psíquico é vasto e extenso, atemporal. Composto pela nossa história, pelas nossas interpretações dos fatos da vida, nossos registros, memórias.

As pessoas se sabotam por inúmeras razões, mas que só podem ser compreendidas com um trabalho profundo de autoconhecimento. A grosso modo podemos conjecturar que é uma forma do ego se proteger de situações ameaçadoras. Para clarificar, segue alguns motivos comuns:

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Culpa:

Crescemos sob a sombra da culpa. Seja vinda da religião: “se não for bonzinho (a) vai para o inferno.” “Tem que colocar a necessidade dos outros antes da sua.” etc.

Conheci uma pessoa que pedia para o filho de 8 anos, todas as noites refletir sobre seus pecados.

Ou culpa cultivada no ambiente familiar: “tem que ser boazinha/bonzinho, responsável, dar a sua vez, cuidar dos seus irmãos pois você é mais velha/velho, compartilhar seus brinquedos ou doces, tem que ter as melhores notas”.  Muitas crianças sentem-se culpadas por brigas em casa e separação dos pais.

É importante salientar que não se trata necessariamente de pais ou cuidadores mal intencionados, mas sim a forma como os conceitos são passados de geração em geração. Muitas vezes com o intuito de educar ou proteger os filhos de perigos e exposições, afinal foi a forma com que estas famílias aprenderam a educar.

A culpa também tem uma função importante no ser humano e na sociedade, imagine se não tivéssemos culpa? Que caos que seria!

A questão é: como a culpa atua na auto-sabotagem. A culpa é sinal de não merecimento. Então se você, inconscientemente acredita que não merece algo bom, sucesso profissional, um relacionamento, uma família, um carro ou casa novos, uma viagem, amigos, tem que dar um jeito de colocar a perder certo?

Inveja:

Apesar de ser um sentimento tão condenado, todos nós, de uma forma ou de outra já sentimos inveja. Seja na infância, adolescência ou vida adulta. Em algum momento acreditamos que seria nosso direito ter o que pertence ao outro. Que o outro não deveria ter conquistado aquilo que cabia a nós. Quem nunca chegou a torcer em silêncio contra o sucesso de outra pessoa, ou não fez uma fofoquinha maldosa?

Assim sendo, quando sentimos inveja, acreditamos também que não podemos possuir algo bom. Pois, da mesma forma que desejamos secretamente que o outro perca sua conquista, acreditamos que como “castigo” perderemos a nossa também. Parece complexo, distante ou surreal demais? Sim. Assuntos do inconsciente são muito profundos para serem tratados em um texto sucinto.

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Síndrome do Impostor:

A síndrome do impostor é um nome um tanto quanto pitoresco e nada científico dado a um sentimento de incompetência e ineficiência. Ou seja, pessoas que acreditam que no fundo são uma fraude. Vivem com medo de que descubram sua “verdadeira face”. Muitas vezes são pessoas bem intencionadas, competentes, capazes, éticas mas não se apropriam de suas capacidades devido à baixa autoestima, e pouca confiança em si mesmas.

Apesar de não ser de fato uma “síndrome” pois não consta em manuais da medicina, é um estado muito comum que impede a pessoa de crescer e evoluir. Esse sentimento, o medo de “ser descoberta” a impede de alçar voos mais altos, decolar na carreira, na vida pessoal. Então, de alguma forma, o indivíduo dá um jeito de colocar tudo a perder antes que isso aconteça.

Ganhos Secundários:

Situações novas muitas vezes são desconfortáveis, nos tiram de um lugar conhecido. Talvez não tão bom, mas familiar. O sucesso, o novo, por sua vez nos traz um certo desconforto, o medo do desconhecido. Quais serão as novas responsabilidades? Que tipo de situações negativas terei que lidar quando meus desejos se realizarem?

A questão é que muitas vezes temos um ganho em permanecer em uma situação desfavorável.

Quando estamos doentes recebemos cuidados, atenção. Nos livramos de afazeres chatos, de responsabilidades.

Quando ficamos no lugar de “coitadinhos” acreditamos que atraímos a complacência ou empatia das pessoas. Ao contrário de quando ocupamos uma posição de destaque, de sucesso, tememos a inveja, receamos perder a companhia ou o apoio de determinadas pessoas. Ou, as pessoas podem começar a nos procurar para pedir ajuda.

O sucesso traz desafios, responsabilidades, trabalho. É necessário mantê-lo, cuidar da imagem, vigiar suas atitudes. Dá trabalho! Nem sempre desejamos pagar o preço.

Mas lembrem-se, tudo isso ocorre em um nível inconsciente, ou seja, invisível a olho nu!

Medo de comprometer o relacionamento ou a estabilidade familiar:

Quando as pessoas mudam ou saem da sua zona de conforto, estas mudanças podem interferir na dinâmica do seu ambiente. Por exemplo: a mulher vai para o mercado de trabalho e sai do papel de dona de casa, precisa contratar pessoas para dar conta da rotina doméstica ou cuidar das crianças, ou mesmo contar com a ajuda de familiares. Este trabalho pode implicar em viagens ou eventos que talvez não seja do agrado do cônjuge. Ou o restante da família pode julgá-la.

Algumas mudanças podem fazer com que cônjuges ou outros familiares fiquem insatisfeitos seja por sentirem-se ameaçados, com inveja ou sobrarão mais atividades para eles de modo que perderão certas comodidades. Inibida por essas possíveis reações negativas, a pessoa pode retroceder ou fazer com que seu projeto não dê certo por inúmeras razões que só o inconsciente é capaz de criar. Mas como ela mesma não se dá conta, logo arruma várias explicações e justificativas plausíveis e racionais para tanto.

Amelie - Nino & Amelie

Desejos contraditórios:

É uma situação muito comum. Algumas vezes desejamos exatamente o oposto daquilo que demonstramos ou lutamos para acontecer. Seja para atender uma exigência da sociedade, da família, ou para adquirir status e prestígio (pessoas com baixa autoestima).

Exemplos: perder dia da prova de vestibular, ou processo seletivo. Desejo de engravidar mas sofre abortos naturais sucessivos. Fazer uma má apresentação do TCC ou tese de mestrado.

Um executivo pode cometer um erro grave que venha a acarretar prejuízos para a empresa, vir a ser demitido e ficar arrasado. No entanto, já está há um tempo infeliz e desejando mudar os rumos da sua vida profissional. Claro que ele não queria prejudicar a empresa tampouco sua carreira, pelo menos de forma consciente.

Em um dos exemplos iniciais, o homem que deixa a joia que seria presente para sua esposa no capô do carro. Como estaria este relacionamento? Será que ele realmente desejou dar este presente a esposa?

Vingança:

Sim, as pessoas podem sabotar sua realização pessoal, sua saúde, seus projetos para punir ou se vingar de alguém.

Se mantem em uma posição de doente ou dependente para que algum familiar banque suas despesas, fique a sua disposição para o que for necessário.

Seja por mágoa, raiva dos pais ou cônjuge ou mesmo dos filhos, algumas pessoas se colocam nesta posição, prejudicando acima de tudo a si mesmas. Não se libertam e não libertam os outros envolvidos do encargo.

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O assunto auto-sabotagem é muito amplo, a intenção deste texto foi apenas arranhar a superfície de um tema tão rico e fascinante. Fascinante e ao mesmo tempo trágico e real, muito real.

Tal termo não é de uso científico da psicologia, mas utilizado pelo senso comum. No entanto, são encontrados na literatura de estudiosos consagrados como Freud, C. G. Jung, Melanie Klein entre outros, referencias claras a situações de auto-sabotagem mas com diferentes nomenclaturas.

Como estes autores abordam basicamente a vida psíquica, o inconsciente, praticamente todos os casos clínicos e seus transtornos tem conteúdos relacionados a auto-sabotagem.

Talvez você esteja se perguntando nesse momento onde e como a auto-sabotagem se aplica a você, na sua vida. Se você percebe que ocorrem situações repetitivas que te prejudicam ou te impedem de alcançar seus objetivos, é bem provável que esteja nesse ciclo. Para detectar e romper e assim adquirir mais autonomia sobre sua vida, o caminho é um trabalho profundo e paciente de autoconhecimento.

Pode causar medo, ansiedade e há possibilidades de surgirem várias resistências e empecilhos pelo caminho para que fique onde está. Pelas mesmas razões mencionadas no decorrer do texto. Mas, no que tange ao autoconhecimento o lema é: “quebre as pontes que atravessar!”.

Gisele Ventura Essoudry

Psicóloga clínica especialista em Saúde Mental pela UNIFESP, coach e orientadora profissional. Em razão da também graduação em Marketing, trabalhou por quinze anos no mundo corporativo, nos segmentos de varejo e bancos, sempre na área comercial o que contribuiu muito para entendimento de questões relacionadas ao ambiente empresarial. Criadora do site de conteúdo www.autenticalab.com.br, ministra palestras e workshops sobre desenvolvimento pessoal. Dois e-books publicados: “Com autoestima é melhor!” e “Amor e relacionamentos, muito além do óbvio!”. Consultora da Feminaria, atende às associadas da Rede com agendamento pelo telefone (11) 2737-5998

 

* Texto originalmente publicado no site do Autentica Lab.

* Imagens: Cenas do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”

Falta de tempo ou questão de prioridade?

– por Mariana Zambon Braga

Quem de nós nunca pensou: “Não tenho tempo para nada?”. Às vezes parece que se o dia tivesse 45 horas, continuaríamos sem tempo para fazer as coisas que queremos ou as tarefas que precisamos cumprir. Estamos sempre equilibrando várias áreas da vida- trabalho, vida social, vida pessoal, relacionamentos, crescimento, estudo – e não é raro termos aquela sensação de que somos malabaristas, e que, inevitavelmente, deixaremos a peteca cair.

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

Quanto tempo você dedica às coisas que realmente gosta de fazer? Aquele projeto que nunca sai do papel, talvez já tivesse se tornado realidade, não fosse pelo tempo que não colabora. Se fosse possível, esticaríamos o tempo para acomodar todas as nossas vontades e necessidades. E se, ainda assim, o tempo continuasse curto demais?

Para tentar responder a algumas destas questões, a especialista  Laura Vanderkam estudou como as pessoas ocupadas vivem suas vidas. Ela descobriu que nós damos muito valor aos compromissos e subestimamos o tempo que temos para nós – ou o “tempo livre”. E que, na verdade, todos temos tempo. O que não temos é uma noção clara de quais são as nossas prioridades e de como acomodá-las à nossa rotina.

O tempo é algo bem relativo e elástico. Laura acredita que priorizar as áreas nas quais queremos investir mais horas do nosso dia é essencial. Talvez pareça óbvio, mas muitas vezes não colocamos isso em prática. Em outras palavras, alegamos que não temos tempo de fazer alguma coisa quando não estamos realmente interessadas naquilo. Sendo assim, antes de fazer qualquer planejamento, precisamos definir as nossas prioridades.

Na palestra How to Gain Control of Your Free Time (“Como assumir o controle do seu tempo livre”), ela sugere que devemos criar listas com várias categorias – profissional, pessoal, relacionamentos, por exemplo – e incluir de três a quatro itens prioritários em cada categoria, com os quais devemos nos comprometer. Como se fosse algo urgente que precisa, de fato, ser resolvido.

Ela ainda enfatiza que, como vivemos realidades diferentes, teremos prioridades distintas. O importante é saber como moldar o seu tempo, dentro do seu contexto de vida, para aproveitá-lo melhor.

E você, concorda com este ponto de vista? Que tal criar a sua lista de prioridades para este ano?

Assista ao vídeo abaixo para se inspirar!

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Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Escrevendo a história da sua vida

– por Mariana Zambon Braga

Imagem: Unsplash
Imagem: Unsplash

Contar histórias faz parte da natureza humana. Nós gostamos de compartilhar os acontecimentos inusitados, as cenas absurdas, nossas perdas, dores, alegrias e conquistas. Sem perceber, estamos contando a nossa história como se fôssemos narradoras e personagens, ao mesmo tempo. Sempre temos alguma história mirabolante e verídica para contar.

Eu sou uma grande defensora da ideia de que todo mundo deveria escrever suas histórias. Como um exercício de autoconhecimento e crescimento pessoal, no mínimo, ou para deixar para a posteridade mesmo. Como se, ao transportar para o papel aquilo que te acontece, você conseguisse se observar como a protagonista da sua vida.

E essa é uma das funções mais incríveis deste exercício. Você se posiciona como agente, como a personagem principal das aventuras mais incríveis, ou mesmo de situações banais do cotidiano, mas que possuem uma magia escondida – como os acasos, as coincidências, as sincronicidades.

Além disso, nós, mulheres, sofremos com a invisibilização das nossas histórias. Principalmente quando se trata de realizações atingidas em cenários que, ainda hoje, são vistos como predominantemente masculinos. Nesse caso, compilar a sua vida em textos, seja em um diário ou em um blog, também possui a função de registro histórico.

Talvez você pense que nada de muito interessante acontece na sua vida. Ou, pelo menos, nada muito digno de registrar. Eu duvido que este seja o caso. Certamente você já se apaixonou, já teve conflitos em família, com amigos, no trabalho, já se encontrou em contextos tão bizarros que pensou “isso daria um filme“. Tenho plena certeza de que já criou poesia em sua mente ao observar uma flor que nasce no meio do concreto ou uma nuvem em formato de coração. Porque, além da história da sua vida, os seus pensamentos e emoções também têm muito valor para a sua jornada de autoconhecimento.

Somos todas parte de um enredo. A vida de cada uma de nós é repleta de desvios, obstáculos, revezes, reviravoltas do destino, tramas complexas – todos os elementos das melhores obras de ficção.

Então, por que não começar a colocar em prática esse hábito de registrar a sua vida em palavras? 

Não sabe por onde começar? Um diário pode ser uma ótima ferramenta para libertar a alma escritora que existe dentro de você. Relatando os acontecimentos do dia, nos tornamos mais atentas ao que ocorre ao nosso redor e desenvolvemos um foco aguçado para os detalhes. Perceber a evolução da sua forma de escrever, ao longo do tempo, trará mais confiança para seguir em frente.

Pode ser que você nunca tenha coragem de mostrar a ninguém, e tudo bem. Quando você voltar algumas páginas para ler o que aconteceu há algum tempo, será capaz de compreender melhor quem você é, conhecer a si mesma mais a fundo e enxergar a sua narrativa de vida como uma obra completa.

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.
 

Em busca de sentido, e não de felicidade

por Mariana Zambon Braga

Muitas pessoas têm uma ideia errada do que significa a verdadeira felicidade. Ela não é atingida através da auto-gratificação, mas através da fidelidade a um propósito valioso.” — Helen Keller

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Imagem: Amanda Cass

Se alguém perguntar a você, hoje, O que você mais deseja nesta vida?, talvez você responda dinheiro, sucesso, saúde, crescimento, amor, liberdade. Há grandes chances de que sua resposta seja: Tudo o que eu quero é ser feliz

Mas, o que é ser feliz? É uma coisa muito vaga, não é mesmo? Cada um tem o seu conceito de felicidade, e ele pode mudar ao longo do tempo. Frequentemente, confundimos essa noção com a alegria e o contentamento produzidos pelo atingimento de um objetivo pessoal ou profissional.

Por exemplo: você passa dez anos lutando por um aumento em seu salário. Finalmente, você recebe a tão sonhada promoção, e o seu holerite sorri para você. A sensação de felicidade certamente será passageira se, ao final de mais dez anos, seu salário continuar o mesmo e o seu plano de carreira ficar estagnado. Porque, nesse caso, o objetivo, o significado, a busca se resumia a uma quantia maior de dinheiro, ao reconhecimento financeiro ou a um cargo mais elevado.

Colocar a nossa felicidade apenas em função dos objetivos a serem alcançados pode nos frustrar ainda mais. Sempre teremos novas metas e conquistas em mente e às vezes é difícil conseguir atingir o que almejamos. Ou seja: corremos o risco de nunca colocar as mãos na tão sonhada felicidade.

Muitas vezes, nos pegamos dizendo ou pensando em coisas como:

Quando eu emagrecer dez quilos, serei feliz.

Quando eu tiver o meu próprio negócio, serei feliz.

Quando eu casar, serei feliz.

Quando eu tiver um filho, serei feliz.

Quando (insira aqui qualquer coisa), serei feliz.

Isto é bem triste. Adiar a felicidade ou fazê-la orbitar em torno de algo que nem sempre depende somente do nosso esforço pode ser muito frustrante. E igualmente inatingível, pois as nossas listas podem ser imensas e cheias de metas que nunca serão totalmente alcançadas, metas que não foram estabelecidas por nós, mas as quais acreditamos serem o caminho certo para encontrar “a tal da Dona Felicidade“.

Em uma de suas pesquisas, a psicóloga Iris Mauss descobriu um paradoxo. As pessoas que davam mais valor à felicidade acabavam se sentindo menos felizes quando estavam prestes a alcançá-la. Segundo o estudo, quem atribui muito valor à felicidade acaba definindo metas difíceis de atingir, e pode não saber muito bem como lidar com as decepções no caminho.

Tomando os exemplos da pequena lista acima, se a pessoa que se propõe a emagrecer dez quilos conseguir eliminar apenas seis, provavelmente continuará infeliz. Se não encontrar um(a) companheiro(a) para a vida, também. Se não conseguir deixar o emprego e montar seu próprio negócio, continuará no ciclo da infelicidade. E se o sonho de ter um filho demorar mais que o esperado, a felicidade também precisa ficar em standby? Imagina quanta coisa boa pode passar batida nesse meio tempo.

Todos estes cenários têm uma coisa em comum: quem espera a felicidade chegar junto com uma conquista, está se concentrando apenas no objetivo, e se esquecendo da trajetória. A busca pelo sentido, e não pela felicidade, é o que torna a vida melhor. E esta consiste em saber exatamente quem você é, o que você deseja, e o motivo de tudo isso. Ao seguir aquilo que faz a sua vida ter sentido, as frustrações, os fracassos e derrotas terão um peso muito menor.

Quando buscamos o nosso propósito, a felicidade consiste na jornada, em si, e não apenas nas realizações. O POR QUE você faz ou quer algo é tão importante quanto o QUE você está buscando, fazendo ou desejando. O objetivo maior da sua vida tem a ver com o que você veio fazer aqui no mundo, e não com o que esperam de você ou apenas com algo tangível que você venha a conquistar.

Mesmo porque tudo nessa vida é transitório – corpo, beleza, dinheiro, empregos, status, bens materiais… Mas o propósito, ele se mantém firme, porque é ele que nos traz a satisfação plena. 

Encontrar o sentido da sua vida, a sua missão verdadeira, fazer algo que realmente importa para você – esses são bons pontos de partida. Certamente, será mais fácil lidar com frustrações quando o propósito é o próprio caminho. Porque, nessa trajetória de autodescoberta, talvez você perceba que nem queria tanto assim uma promoção ou um casamento – talvez, no fundo, você só estava buscando se sentir realizada, e estava seguindo os parâmetros definidos por todo o resto do mundo.

Que tal refletir sobre tudo isso ao fazer os seus planos para 2017?

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Como entrar em 2017 com fé a despeito de toda a patifaria

– por Elaina Nunes

Pois é, caríssimas, mais um ano chegando ao fim! E, ainda que 2015 tenha sido aquela farofa, há tempos não vemos um ano terminar com um gosto tão amargo. O mundo está ao contrário e, diferente da música de Nando Reis, está todo mundo ciente do fato e a sensação decorrente dessa clareza não é nada animadora.

Era para todo mundo estar abraçado e planejando juntos uma forma de vencer os desafios, certo? No mundo utópico de Imagine do libriano John Lennon, só se for. O que vemos são cada vez mais pessoas apontando o dedo para o outro, projetando suas mazelas no vizinho, na Dilma, no Temer. As polaridades estão destacadíssimas e internamente a coisa não poderia ser diferente. Para onde nos levará toda essa falta de autoconsciência? Para 2017, of course! E foi diante desse cenário que decidi escrever o manual: COMO ENTRAR EM 2017 COM FÉ A DESPEITO DE TODA  PATIFARIA EM CINCO LIÇÕES.  Vem comigo!  

2017

1. Olhe para dentro

Eis o mais difícil dos passos e exatamente por isso já o adicionei no tópico 1, comecemos pela raiz. Se você é uma pessoa que por natureza busca o auto aprimoramento, seja através de terapia, livros, cursos ou de técnicas, excelente! Mergulhe, mergulhe fundo. Aproveite o final de ano para repassar os avanços, ainda que tenham sido sutis. Os erros? Ah! se você é voltada para dentro, aposto que já os revirou de cabo a rabo ao longo do ano, portanto não, não se torture mais, deixa isso para lá e foque nas vitórias.  E vambora, saia desse quarto, vá brincar!

Se você é uma pessoa que, por tendência, evita tudo o que é subjetivo e tem dificuldade de entrar em contato com seus sentimentos, te digo de coração que é hora de quebrar essa barreira e fazer algo a respeito. Se quem busca autoconhecimento cai nas ciladas do inconsciente, imagine quem passa longe! Vivendo dessa forma, há o risco de seguir cega, agindo sem saber, reclamando sem compreender, projetando a sombra no próximo. 

Lembrando que o objetivo é a integração dos opostos, nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Caminho do meio, mãozinhas dadas, reconhecimento e aceitação.

2. Quando não se tem nada, não há nada a perder

A máxima de Bob Dylan sempre funcionou para mim como um norte em momentos de crise, e agora mais do que nunca. Está desempregado, já panfletou CV e nada de retorno? Quem sabe não é hora de mostrar ao mundo aquele dom que ficou adormecido, quando seus pais te incentivaram a cursar TI por ser o que “dá dinheiro”. Tá todo desgrenhado no fundo do poço mas bateu um medinho de arriscar? Larga disso e aproveita a brecha para fazer o que sempre quis, mas nunca teve oportunidade por estar ocupado demais tentando vencer na vida. Em 2017, se dará bem aquele que abusar da criatividade, que ativar o contato com o Eu interior, que finalmente viver sua verdadeira vontade. Que ousar ser você mesmo! 

3. Organize-se, planeja, estabeleça metas

Parece clichê de coach, é irritante, eu sei. Mas também sei por experiência o poder de um projeto estruturado e bem estabelecido. Não adianta ficar se lamentando, culpando o partido oposto pelo caos que sua vida se encontra. É preciso criar coragem e arrumar a bagunça que 2016 deixou.

Agora imagine uma figura de luz: pois bem, não espere ficar iluminado, utilize essa figura de luz para iluminar o caderno onde você vai anotar e cumprir cada proposta definida para 2017. Tem uma dificuldade enorme em estabelecer metas e executar o que planejou? Hoje há uma gama de ferramentas fantásticas e bastante didáticas que certamente a auxiliarão nesse processo. Eu mesma estou de olho no kit Organize 2017 desenvolvido pelas empreendedoras Karine Drummond e Priscila Valentino. (espero que em agradecimento pelo jabá gratuito elas me enviem uma amostra… tá bom, parei!)

Alá, que tesouro! (meu stellium em virgem pira)

4. “Mas, dona Ava, eu não sei por onde começar e não tenho dinheiro para nada”

Vocês viram quão cruel foi 2016 com aqueles que apelaram para vitimização e procrastinação, certo? Não corra esse risco!  Há uma diversidade de locais que oferecem auxílio gratuito e orientação para aqueles que não sabem o que tá conteseno. A Casa Feminaria, por exemplo, oferece plantões com psicóloga, advogada, nutricionista, educadora, além de cursos por um preço bastante acessível de tudo que você pode imaginar. É só ir lá para ver.

Quem não está em São Paulo, certamente encontrará locais similares em sua cidade. Mantenha-se aberta, pesquise, estude online, vá checar pessoalmente. A partir do momento que nos colocamos em movimento, a mágica da vida acontece: as coisas fluem, as pessoas surgem e aos poucos tudo se encaixa. É preciso somente iniciar, entrar no fluxo e não desanimar diante de obstáculos que (por padrão) eventualmente venham a surgir, esses fazem parte do processo. Mais uma vez, Campbell: siga a sua alegria, e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes.

5. Renove sua fé (ainda que você seja ateia)

Eis um excelente momento para retomar a prática da meditação, tomar um passe, visitar o terreiro que há tempos você não aparece, acender uma velinha para o anjo da guarda.  Se você é ateia, eis a hora de reafirmar seus valores e agir de acordo com eles. Mantendo-nos conectados com aquilo que nos ilumina, a vida sorri e te ilumina em retorno.

Portanto, avante, guerreira! Vista sua melhor roupa e vire o ano cheia de alegria, e com o coração confiante que a despeito de toda balbúrdia a vida é bonita, é bonita e é bonita! PODE VIR 2017, que a gente tá preparada!

Elaina Nunes

Oraculista há 20 anos, realiza leitura do Tarô e baralho Petit Lenormand com abordagem terapêutica. Estuda e investiga Astrologia e Simbologia, iniciando sua formação na Escola Santista de Astrologia e CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica. É mãe da Stella e apaixonada por Carl Jung. Em breve realizará atendimentos presenciais na Casa Feminaria.

Pequenas doses de autoestima

por Mariana Zambon Braga

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Imagem: Unsplash

Ah, a autoestima. Essa coisa que almejamos diariamente, que deveria nos cobrir como um manto de proteção contra críticas, rejeições e fracassos. Que deveria ser inabalável, incorruptível e fundamentada somente no que pensamos sobre nós mesmas. Que traz como bônus a tal da autoconfiança.

Quem nunca passou por momentos de total dúvida a respeito de si? Muito além de duvidar da beleza ou da aparência física – embora a autoimagem concreta também seja importante para moldar a nossa percepção mais abstrata de quem somos – a incerteza de ser capaz de realizar nossos projetos me parece muito mais angustiante. A incerteza de ser o que você acredita ser.

Basta um deslize, alguma coisa que deu errado, um passo para trás (por vezes necessário), e os acusadores que vivem dentro de nós começam o seu coro. Apontam dedos. Amplificam o ruído das derrotas. E é tão difícil silenciar essas vozes que nos levam para o poço sem fim da autopiedade, não é mesmo?

Eu gostaria de dizer que existe uma maneira simples e fácil, imediata, uma pílula capaz de restaurar a nossa autoestima em segundos. Um quadro com uma frase motivacional de Vai ficar tudo bem, ou Você é a pessoa mais maravilhosa do mundo, capaz de incutir isso no seu cérebro para sempre. Mas, eu estaria contando a maior mentira já inventada. Não existe uma receita mágica para evitar as críticas ou nos levantar quando os resultados que esperamos não se concretizam.

Precisamos ter em mente que não somos sempre a mesma pessoa. Tudo nessa vida é um processo. A autoestima vem em pequenas doses, e caminha de mãos dadas com o autoconhecimento. Quanto mais você souber quem você é, entrar em contato com sua essência, quanto maior for a sua certeza sobre os seus limites e potenciais, tudo se tornará mais leve. Inclusive sua relação com sua imagem física. As críticas, as derrotas e os obstáculos não deixarão de existir. Porém, ao invés de serem encarados como um ataque pessoal, os acontecimentos negativos se tornarão oportunidades de crescimento.

O caminho para construir a autoestima é pessoal e intransferível. Por isso, seguir os passos que outra pessoa trilhou pode, muitas vezes, não trazer o resultado que você gostaria. Algumas dicas, listas, exemplos, do tipo “o que fazer para melhorar a autoestima” podem servir de parâmetro, um ponto de partida. Apenas tome cuidado para que isso não engesse sua mente e te impeça de vivenciar esta trajetória à sua maneira. Afinal, autoestima são as suas crenças sobre você, e não sobre os outros, ou dos outros a seu respeito.

Para mim, funciona bastante como um diálogo interno. Quem sou eu, de verdade? Do que eu sou capaz? Quais são minhas qualidades reais? O que estou fazendo com as ferramentas que possuo? Como me apresento no mundo? O que eu faço com aquilo que o mundo está dizendo sobre mim? O que posso fazer para melhorar? Respondendo a essas perguntas, ou pelo menos refletindo sobre elas, consigo ter mais clareza para encarar minhas crises de amor próprio. Em doses, pequenas e contínuas, como um conta-gotas, a percepção que tenho sobre quem sou vai se moldando, crescendo, se tornando mais forte do que as dúvidas. É um aprendizado constante, sem truques, dicas ou soluções prontas.

Que tal começar a descobrir o que te ajuda a ser mais forte e confiante? Conhecer o que te leva para frente, o que te impulsiona, mesmo quando o mundo te quer para baixo? Será uma jornada árdua, mas garanto que a recompensa será extraordinária e gratificante.

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

 

Na contramão do mundo

– por Mariana Zambon Braga

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Faço parte de um grupo de pessoas que não está muito aí para o padrão das coisas. Não é um desejo de sermos diferentões, nem nada, é apenas nosso jeito, em constante mutação, um jeito que não se define por rótulos. É quase impossível conseguir aceitar tudinho como é, sem questionar. Há quem diga que somos do contra, rebeldes. Eu acho que somos um pouco mais livres, ou sabemos mais de nós.

Estou falando no plural, não por ter sido acometida por uma síndrome de impessoalidade, mas porque sei que não estou sozinha. Quando percebi isso, tornou-se mais fácil desapegar de toda a cobrança que o mundo impunha sobre mim.

Não use essa roupa, isso é coisa de moleque. Vão achar que você é lésbica. Rock é coisa do capeta. Você precisa se depilar! Cabelo colorido é coisa de adolescente, se enxerga! Melhor fazer uma chapinha, cachos não são muito atraentes. Talvez seja melhor fazer um concurso público, ter estabilidade. Você precisa andar com pessoas da sua idade. Tenha uma carreira promissora. Faça mestrado, depois doutorado. Tenha filhos. Já pensou na sua aposentadoria? Não faça tatuagens – lembra da carreira promissora? Cuidado com a boca, homem não gosta de mulher questionadora. Você precisa casar logo. Onde estão seus diplomas? Ah, já casou, mas nada de filhos ainda? Mas você ainda está trabalhando nessa empresa? Feminismo é coisa de mulher mal-amada. Não acredito que ainda não teve filhos! Você deveria emagrecer. Projeto verão, vamos lá, força e foco…    

A lista de pitacos não solicitados é enorme. Ao longo dos anos, desisti de tentar me enquadrar nos moldes de sucesso, carreira, corpo, beleza, relacionamentos e vida os quais, supostamente, eu deveria seguir. Decidi que iria encontrar as minhas próprias respostas. Tenho trinta e quatro anos, e ainda estou procurando muitas delas, e acumulando outro tanto de questionamentos. Confesso que, por muitas vezes, tenho vontade de largar mão dessa busca e tentar me encaixar. Porque é muito mais fácil seguir exatamente o que esperam da gente. Bastaria escutar e cumprir os conselhos dos outros, trilhar caminhos já predestinados, e pronto! Ser feliz? Conhecer a si mesmo? Não, isso não é coisa de adulto, é besteira e não paga as contas.

A gente deveria rasgar todos os planos que fazem por nós, sem nos consultar. Porque a vida não tem manual de instruções, é tudo uma corrida maluca, uma hora você está no caminho, na outra, cadê o caminho?  Às vezes parece que estou vendada, tentando encontrar a linha de chegada que, diga-se de passagem, não traz medalhas ou prêmios como a gente gostaria. Ninguém te dá um biscoito quando você segue à risca o que te mandam, e é por isso que eu joguei os padrões na lata do lixo. Eu não quero seguir a vida cumprindo requisitos, eu não sou um checklist. 

Não existe uma única maneira de fazer as coisas, e a gente não precisa fazer tudo igualzinho aos outros. Conheça bem quem você é, saiba mesmo, de verdade, aquilo que você deseja para a sua vida, e agarre-se a isso com unhas e dentes. E, se mudar de ideia, ou achar melhor seguir outra direção, agradeça o que passou, desapegue e siga o novo caminho. A vida é impermanente.

O ruído exterior não vai deixar de existir, é óbvio, mas a certeza de possuir a sua vida, de ser a dona do seu caminho, te fará mais forte. E, se a solidão de andar na contramão te abater, saiba: você não está sozinha. Seguimos juntas, nesse espiral infinito que é viver.

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

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Because of this, 0B0-400_Testing Shakes walked so fast and was so crazy when 1Y0-A24_Dumps-Pass4sure driving. As long as you move, they can not catch you She heard a voice and quickly looked up. A rumbling sound came 0B0-400_Testing from far and louder and louder. Few 070-562-VB_Exam-Dumps-PDF pieces of shredded paper are raised by the wind and fly along the rails. Dust circling around her, like an angry ghost. Then there was a deep whine Emiliano Shakespear, a five-foot-nine patrolman, found himself CCA-500_Sample-Questions facing the locomotive of a 31-ton American-American company. The red, white, blue-faced steel behemoth is approaching her at ten miles an hour. Stop Stop She shouted. The train driver ignored her. Shakes ran to the railway, standing in the middle 0B0-400_Testing of the rails, swinging his legs CCA-500_Sample-Questions waving his arm, signaling the driver to E20-016_Exam-Dump stop CCA-500_Sample-Questions moving forward. 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